O fato de ser um engenheiro do Google o autor de um manifesto machista surpreendeu o mundo da mídia e reforçou a opinião de que o Vale do Silício, sinônimo de vanguarda tecnológica, ainda tem muito a aprender em termos de ideias e valores progressistas afinados com a agenda igualitária do século 21.

Sob o título “a bolha ideológica do Google”, o autor afirma que homens e mulheres não têm as mesmas habilidades, inquietações e ambições no campo tecnológico e laboral. Na opinião do engenheiro James Damore, “os homens tendem a se sentir mais confortáveis quando trabalham com coisas, no lugar de pessoas”. Eles seriam mais agressivos na busca de status e para subir degraus da liderança corporativa. As mulheres sentiriam muita ansiedade na hora de pedir um aumento, sob a ótica do autor.

O escândalo com o manifesto vem a público dois meses depois de a empresa ignorar uma ordem federal para mostrar seus dados sobre a distância salarial entre homens e mulheres. O Google preferiu pagar multa em vez de entregar a tempo as informações requisitadas.

Para minimizar os danos à reputação, o Google demitiu o funcionário, sob o argumento de que ele “violou o Código de Conduta” da empresa ao “promover estereótipos de gênero”, mas não quis fazer comentários públicos sobre a demissão. Para a The Economist, o caso do engenheiro do Google inflama o debate sobre sexismo e liberdade de expressão. O novo escândalo com a gigante da internet vem na esteira do colapso no Uber, acusado de assédio sexual e tratamento vexaminoso às mulheres.

Nas crises, além dos danos à imagem corporativa há o inevitável impacto financeiro. A gigante das buscas na internet está sob investigação no Departamento de Trabalho por discriminar as mulheres pagando a elas salários menores do que o dos homens. O engenheiro demitido sinalizou que pode processar o Google por infringir seu direito à liberdade de expressão.  A ironia é que um dos lemas corporativos do Google é: “não seja mau”. Em pouco tempo virá à tona se a gigante da tecnologia cumpre seus preceitos éticos.

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