Quase um ano depois das eleições que elegeram Donald Trump presidente dos Estados Unidos, o papel das redes sociais nas campanhas eleitorais e da publicidade segmentada via internet está sendo cada vez mais questionado. A polêmica cresceu nesta semana com a confirmação feita pelo guru digital de Donald Trump, Brad Parscale, de que as gigantes digitais Facebook, Twitter e Google se envolveram na campanha, com direito a apoio de funcionários das empresas na equipe.

“Logo entendi que o Trump ganharia através do Facebook. O Twitter era o meio para falar com as pessoas. O Facebook era a forma de ganhar. O Facebook era o método, a autoestrada pela qual dirigiríamos o carro”. Traduzindo as palavras do marqueteiro-digital vencedor da disputa à Casa Branca, “são as redes sociais, estúpido”, uma atualização da famosa frase feita em 1992 por James Carville, assessor da campanha de Bill Clinton: “É a economia, estúpido”. O slogan captava o espírito daquele tempo, como as metáforas de Parscale resumem a época de hoje, de massiva hegemonia das mídias digitais.

A controvérsia em torno da participação ativa em eleições das gigantes das novas mídias vai aumentar com o acréscimo da chamada “trama russa”, a suposta interferência de Moscou no pleito eleitoral norte-americano.

O debate vai se estender por muito tempo, na medida em que a atuação de empresas de tecnologia da comunicação desestabiliza o jogo e influencia pesadamente no resultado do pleito. Aqui no Brasil também a questão é central. O Congresso acabou de aprovar a minirreforma eleitoral, com a instituição do fundo público de financiamento de campanha.

A propaganda eleitoral nas eleições de 2018 será liberada na internet, sem “censura”. Temer vetou o ponto polêmico, incluído no texto pelos deputados, que obrigaria sites, aplicativos e redes sociais a suspender uma publicação, mesmo sem autorização judicial. E agora está permitido também o impulsionamento de conteúdo, o pagamento para que postagens em redes sociais como o Facebook alcancem um número de usuários maior. As críticas são que a norma gera desigualdade econômica por beneficiar exclusivamente algumas plataformas (Facebook), em prejuízo de outras como sites e blogs.

[+] Leia mais aqui

[+] E aqui também