Governar é muito mais que vencer uma eleição.  Assim como seus antecessores, o futuro presidente da República precisará construir consensos com o Congresso Nacional para aprovar as decisões, os projetos de lei e as reformas estruturais que sustentarão seu governo. Por isso, perguntar-se como seria o relacionamento deste ou daquele candidato à Presidência com o Legislativo é fundamental.

O Painel do Poder, pesquisa desenvolvida pela In Press Oficina em parceria com o Congresso em Foco, fez essa pergunta no início de setembro aos principais líderes do Congresso. E constatou que apenas 1,75% dos líderes apostam na capacidade de articulação de Jair Bolsonaro (PSL), embora ele seja parte da Câmara há 28 anos. Geraldo Alckmin (PSDB) apareceu como a maior aposta dos entrevistados (59,66% deles apontaram-no como o candidato que maior facilidade teria para articular-se com o Legislativo), seguido de Fernando Haddad (17,54%).

Antecipar cenários, riscos e oportunidades é uma das vocações do Painel do Poder.  Em março de 2017, a pesquisa já identificava, por exemplo, as dificuldades que o Governo Federal enfrentaria para aprovar sua então recém-apresentada proposta de Reforma da Previdência: 42% dos líderes entrevistados se disseram totalmente contrários ou contrários com ressalvas ao projeto. Em dezembro daquele ano, o Painel revelou que 63% das lideranças consideravam baixas ou inexistentes as chances de aprovação da proposta até abril de 2018, como desejava o Executivo.

A partir do monitoramento sistemático junto às principais lideranças do parlamento, o Painel permite apreender, momentaneamente e em séries históricas, as tendências no ambiente legislativo em relação ao Governo Federal, à tramitação de propostas específicas e ao conjunto do cenário político brasileiro. A pesquisa consiste em quatro rodadas anuais de sondagem com as lideranças (formais e informais) mais influentes do Congresso Nacional. Com metodologia elaborada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), o Painel escuta a opinião daqueles que orientam o voto de suas bancadas, definem a agenda de votações, dialogam com o Executivo e são ouvidos na avaliação de propostas.

São entrevistadas pelo menos 51 lideranças, que respondem a dois blocos de perguntas. No primeiro, de questões fixas, avalia-se a postura do Congresso em relação ao desempenho do Governo Federal nas mais diversas áreas. O segundo reúne questões temáticas sobre os principais assuntos da agenda política, e pode incluir perguntas específicas enviadas por parceiros.

O Painel também traz tendências sobre temas específicos. Foi o que aconteceu, por exemplo, com sondagens sobre o posicionamento do Congresso em relação a novas regras para transporte por aplicativos, uso de pesticidas e segurança da propriedade intelectual. Além disso, tem norteado campanhas de causa, ajudando a definir narrativas, estratégias de abordagem e pontos de resistência das lideranças.

Nas rodadas de junho e setembro deste ano, que dedicaram atenção especial às eleições, foi possível antecipar os temas em torno dos quais se daria o debate eleitoral. Na opinião dos líderes, Segurança Pública, Criação de Empregos e Corrupção seriam os temas relevantes na escolha do eleitor para o Executivo e o Legislativo.  Em setembro, a Reforma da Previdência (33%) e Reforma Tributária (32%) emergiram como as pautas com maiores chances de serem votadas na próxima legislatura. A maior parte dos entrevistados apontou a expansão das privatizações (58%) como o carro-chefe do debate a partir de 2019, e informaram acreditar que as duas bancadas temáticas que mais crescerão são a “bancada da bala” (63%) e a bancada evangélica (61%).

A próxima rodada do Painel do Poder será realizada em novembro, após as eleições, quando serão entrevistadas exclusivamente lideranças eleitas e reeleitas para a Câmara e o Senado.  Será possível captar tendências e antecipar cenários para os primeiros momentos da próxima legislatura, que terá papel fundamental na superação da instabilidade política dos últimos anos.

Artigo do Núcleo de Public Affairs da In Press Oficina