As recorrentes dificuldades do governo de Jair Bolsonaro na interlocução com o Congresso Nacional não causaram surpresa a quem leu a última pesquisa Painel do Poder. Na consulta às principais lideranças do Parlamento, realizada na terceira semana de março, já estava evidente que as questões mais polêmicas da proposta de Reforma da Previdência têm poucas chances de aprovação.

O Painel do Poder é a única pesquisa no Brasil a ouvir exclusivamente os líderes políticos mais influentes no Congresso Nacional para aferir as tendências predominantes na Câmara e no Senado quanto ao relacionamento com o Governo Federal e às políticas públicas. A consulta às principais lideranças também mede a influência de grupos organizados e instituições na pauta parlamentar, permitindo antecipar a orientação dos parlamentares sobre temas relevantes para a sociedade. Tudo isso faz do Painel do Poder importante ferramenta para auxiliar na tomada de decisão.

Para capturar os humores do Congresso, são realizadas quatro ondas anuais. O primeiro levantamento de 2019, parceria da In Press Oficina e do site Congresso em Foco, foi feito em março e os resultados divulgados neste mês.

Na ocasião foram entrevistados 57 líderes do Congresso. A pesquisa apontou que 75% dos parlamentares discordam da forma como a reforma vem sendo conduzida e, mesmo com maioria na Câmara, tudo indica que o governo Bolsonaro não terá facilidade na Casa para aprovar as reformas constitucionais, o que o levará a fazer escolhas sobre como empregar seu capital político.

A pesquisa ainda revelou que pontos importantes da Reforma da Previdência, como a substituição do regime solidário de repartição simples pelo regime de capitalização em contas individuais e a progressividade das alíquotas previdenciárias que partem de 7,5% e podem chegar a 22%, não agradam a maioria dos parlamentares.

A ampla renovação do Congresso influencia não somente a Reforma da Previdência, mas altera a representatividade de diferentes setores econômicos, instituições e movimentos sociais na Câmara e no Senado. Nos próximos 12 meses, a relação entre o Governo Federal e os sindicatos (75,4%), movimentos sociais (56,1%) e meios de comunicação (56,1%) tendem a piorar na opinião da maioria das lideranças parlamentares.

Em contrapartida, o relacionamento entre o Governo Federal e os setores de agronegócio (63,1%), minas e energia (56,1%) e financeiro (49,1%) tendem a melhorar e estimular o desenvolvimento econômico.

Todos esses fatores influenciam os cenários político e econômico do País e a expectativa é que  os holofotes continuem direcionados à Praça dos Três Poderes. A In Press Oficina e o Congresso em Foco voltarão a campo em mais três ocasiões neste ano para medir a temperatura no centro do poder e entender os temas relevantes da agenda nacional.

 

*Núcleo de Public Affairs da In Press Oficina

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